CES debate desafios e oportunidades das novas sociedades longevas
O Conselho Económico e Social (CES) realizou esta quinta-feira, dia 9, no Teatro Thalia, em Lisboa, a primeira conferência do ciclo “Um Debate para o Futuro”, iniciativa integrada no projeto Novas Sociedades Longevas, dedicada ao tema “Onde Estamos”.
A sessão reuniu investigadores, decisores públicos, organizações da sociedade civil e representantes de diferentes setores para refletir sobre um dos maiores desafios demográficos do país: o aumento da esperança de vida e a necessidade de preparar Portugal para uma sociedade onde viver mais seja acompanhado por melhores condições de vida, maior participação social e políticas públicas mais eficazes. Esteve presente António Correia de Campos, antigo presidente do CES.
Na abertura dos trabalhos, o Presidente do CES, Luís Pais Antunes, sublinhou que a longevidade deve ser encarada como um dos grandes desafios estratégicos do país, defendendo a necessidade de um debate alargado sobre os caminhos que a sociedade tem de trilhar para responder às transformações demográficas. “A longevidade é um desígnio estratégico”, afirmou.
Na sua intervenção, defendeu que viver mais tempo tem de significar viver melhor, exigindo uma melhor organização da vida coletiva e políticas públicas capazes de garantir mais anos de vida saudável e com qualidade. Sustentou, ainda, que a resposta ao envelhecimento da população implica repensar modelos de organização da sociedade, a qualificação ao longo da vida, o ordenamento do território, o papel da família, a natalidade, a produtividade e a permanência voluntária de trabalhadores mais velhos no mercado de trabalho.
Enquanto coordenadora científica do projeto, Maria João Valente Rosa, apresentou os objetivos do ciclo de conferências e enquadrou a iniciativa, sublinhando que “a realidade muda mais depressa do que a capacidade de compreensão da sociedade”. Considerou, ainda, que o grande desafio consiste em transformar a longevidade num fator de coesão social e de crescimento económico, colocando o conhecimento científico ao serviço da decisão política e da definição de respostas públicas.
Evidência científica
A primeira parte da conferência foi dedicada à apresentação de três estudos científicos que servirão de base ao futuro Parecer do CES sobre esta matéria.
Paula Albuquerque, do ISEG, apresentou o estudo “A Economia da Longevidade em Portugal”, centrado nos impactos económicos das alterações demográficas, notando que a longevidade pode e deve ser encarada como um ativo económico e estratégico.
Joana Cima, da Universidade do Minho, apresentou o estudo “Esperança Média de Vida e Anos de Vida Saudável”, analisando a evolução da longevidade e os desafios associados ao envelhecimento saudável.
Por sua vez, Américo Mendes, da Universidade Católica Portuguesa – Porto apresentou o estudo “Economia do Cuidado das Pessoas Idosas em Portugal”, dedicado à organização e sustentabilidade dos cuidados numa sociedade envelhecida.
A mesa-redonda “Construir uma Sociedade para Todas as Idades” reuniu Maria João Guedes, vice-presidente do CES e relatora do Parecer sobre as Novas Sociedades Longevas, Francisco Garcia, presidente do Conselho Nacional da Juventude, Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, e Maria do Rosário Gama, presidente da APRe, num debate centrado nas transformações sociais, económicas e institucionais necessárias para responder ao aumento da longevidade.
Ao longo da sessão foi consensual a ideia de que Portugal já dispõe de conhecimento e evidência científica suficientes para agir, sendo agora necessário transformar esse conhecimento em políticas públicas e medidas concretas. Os participantes defenderam, igualmente, a necessidade de uma mudança de mentalidade, capaz de repensar os modelos de trabalho, de educação e de participação cívica, adequando-os a uma sociedade onde se vive mais tempo. Num desafio que envolve todas as gerações e onde há falta de recursos humanos, ficou, também, sublinhado que a construção de uma sociedade mais preparada para a longevidade exige o contributo de todos.
Na sessão de encerramento, Maria João Guedes, sintetizou as principais conclusões da conferência, que servirão de base ao Parecer do CES sobre as Novas Sociedades Longevas. Defendeu que a longevidade deve de ser encarada como uma conquista, sustentando que a evidência científica é essencial para compreender esta nova realidade e fundamentar políticas públicas eficazes.
No encerramento institucional, Luís Pais Antunes lançou o repto à sociedade em geral, “É uma necessidade coletiva repensar o tema da longevidade, sejamos apóstolos deste projeto”.
Esta foi a primeira de três conferências que integram o ciclo “Um Debate para o Futuro”. As próximas sessões abordarão os temas “Para Onde Vamos” e “O Que Devemos Fazer”, aprofundando a reflexão sobre as respostas que Portugal deverá construir perante os desafios da longevidade.
O projeto Novas Sociedades Longevas é promovido pelo CES em parceria com a Fundação Geral da Universidade de Salamanca / CENIE – Centro Internacional sobre a Longevidade, e o Instituto Politécnico de Bragança, com o objetivo de contribuir para a definição de políticas públicas sustentadas em evidência científica, promovendo um debate informado sobre o futuro demográfico do país.
Esta iniciativa é cofinanciada pelo Programa Interreg Espanha–Portugal (POCTEP), através da União Europeia.